segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Haikai para um amigo perdido


Blúmen que não é de Blumenau,
onde estarás neste mundinho?
Muito lúmen no teu caminho,
que o tempo não te seja mau



(Renato Blúmen aniversaria todo 13 de Fevereiro há incontáveis verões!)


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

FAUSTO, o viajante do tempo.

Começo atrasado. Pois o primeiro homenageado aniversariou três dias atrás, dia 08 de Fevereiro. Trata-se do Fausto, também conhecido como Mausto, Chausto, Sagui, Arame Liso etc.

Minha amizade pelo Fausto cresce aos poucos, como uma nascente em seu paciente caminho rumo ao mar. Lembro-me de tê-lo visto primeiro na Cobal do Leblon, quando eu ainda detinha o título de "amigo-do-amigo" (intermédio do Weibert).

Engraçada essa matemática da vida, não? Ao contrário daquela da escola, onde "+ e + dão +", na vida os amigos dos amigos nem sempre nos apetecem. Mas, com o Fausto, senti de cara aquela bondade de coração típica das pessoas ingênuas, que preservam uma curiosidade pueril por tudo e enxergam as coisas como as contemplassem pela primeira vez.

Naquela noite, um de nós (talvez eu, confesso) zoou os argentinos, ao que o Fausto prontamente protestou: "Dividir para conquistar, esse é o lema de quem nos oprime." E prosseguiu com seu discurso político, suas teorias conspiratórias. E eu pensando... "nossa, que mala sem alça!" Mas, como tenho o dom de atrair pessoas chatas com coração enorme, ali estava eu... (Não, Fausto, isso não é "karma", vê se não enche!)

Finda a noite, eu e Fausto éramos meros conhecidos, mas algo me dizia que nossos destinos ainda iriam se cruzar. E isso aconteceu uns anos depois, numa aula de alongamento da saudosa Copa Corpo Clube, academia de Copacabana. Depois da aula, trocamos umas palavras e voltamos a nos esbarrar outras vezes. No ano seguinte, já éramos parte da mesma tripulação. Víamo-nos na praia, saíamos para noitadas por aí, festas... Uma época fabulosa!

Quanto mais o conhecia, mais tinha a convicção de que o cara havia sido congelado aos 14 anos e acordado no século XXI. Até hoje, observo seus choques com a cultura deste tempo, seu desconhecimento dos cânones sociais que nos regem. Como se, na história das relações sociais cariocas, ele estivesse duas décadas defasado. Às vezes, acho que vou encontrá-lo brincando com um ioiô da Coca-Cola, bebendo Crush e dizendo "putz grila, Morgado!"

Esta semana, meu amigo completou 38 anos. Vejo uns salientes fios brancos eclodindo por seus cabelos negros e revoltos. Mas o rosto jovem e o sorriso traquino insistem em nos mostrar um rapazola ingênuo, buscando incansavelmente as respostas da vida, ou ao menos as perguntas certas.

Sinto que as agruras do mundo ainda o abalam mais do que poderia admitir ou entender. Contudo, as porradas por aí o convenceram de que viver é importante, mas sobreviver também. Não dá para dissociar um do outro.

Jamais desistas de nada e não deixes o mundo te adultecer. Obrigado por ser meu amigo.



O Presente d'O Dia Presente

Sou um sujeito sem muitas posses, que acredita no poder dos sentimentos, desejos, pensamentos e sonhos. Especialmente, nos sons, palavras ou imagens que lhes sirvam de carruagem.

Daí o porquê deste bloco de notas. Desejo ir ousadamente aonde meu bolso jamais poderia: ao reino do bom agouro, do agora, das palavras perdidas. E de lá hei de trazer o mais nobre dos presentes, o que não se pode tocar nem ver. Trarei lembrança, saudade e bem aventurança.

Em vez de rosas, poemas. Na ausência de vinhos caros, desenhos. No lugar de joias, crônicas. Em vez de livros de aventura em papéis dourados, darei contos, mais épicos e heroicos que o próprio exagero.

A cada aniversário, postarei aqui minha lembrança. Pode ser um poema, um desenho, uma foto, uma canção, um vídeo. A única ressalva é que o PRESENTE seja do PRESENTE. E que seja de coração!

Em dias sem aniversário, se o tempo não me falhar e o ar não me fugir aos pulmões, trarei o que sei sobre o rito do aniversário – em seus diversos semblantes – e sobre a Amizade.

Afinal, de que vale uma lembrança que não é compartilhada? É como diz a plaquinha da biblioteca: "livro mal guardado é livro perdido". Então me aproprio: "a lembrança guardada para si é uma lembrança perdida".