Começo atrasado. Pois o primeiro homenageado aniversariou três dias atrás, dia 08 de Fevereiro. Trata-se do Fausto, também conhecido como Mausto, Chausto, Sagui, Arame Liso etc.
Minha amizade pelo Fausto cresce aos poucos, como uma nascente em seu paciente caminho rumo ao mar. Lembro-me de tê-lo visto primeiro na Cobal do Leblon, quando eu ainda detinha o título de "amigo-do-amigo" (intermédio do Weibert).
Engraçada essa matemática da vida, não? Ao contrário daquela da escola, onde "+ e + dão +", na vida os amigos dos amigos nem sempre nos apetecem. Mas, com o Fausto, senti de cara aquela bondade de coração típica das pessoas ingênuas, que preservam uma curiosidade pueril por tudo e enxergam as coisas como as contemplassem pela primeira vez.
Naquela noite, um de nós (talvez eu, confesso) zoou os argentinos, ao que o Fausto prontamente protestou: "Dividir para conquistar, esse é o lema de quem nos oprime." E prosseguiu com seu discurso político, suas teorias conspiratórias. E eu pensando... "nossa, que mala sem alça!" Mas, como tenho o dom de atrair pessoas chatas com coração enorme, ali estava eu... (Não, Fausto, isso não é "karma", vê se não enche!)
Finda a noite, eu e Fausto éramos meros conhecidos, mas algo me dizia que nossos destinos ainda iriam se cruzar. E isso aconteceu uns anos depois, numa aula de alongamento da saudosa Copa Corpo Clube, academia de Copacabana. Depois da aula, trocamos umas palavras e voltamos a nos esbarrar outras vezes. No ano seguinte, já éramos parte da mesma tripulação. Víamo-nos na praia, saíamos para noitadas por aí, festas... Uma época fabulosa!
Quanto mais o conhecia, mais tinha a convicção de que o cara havia sido congelado aos 14 anos e acordado no século XXI. Até hoje, observo seus choques com a cultura deste tempo, seu desconhecimento dos cânones sociais que nos regem. Como se, na história das relações sociais cariocas, ele estivesse duas décadas defasado. Às vezes, acho que vou encontrá-lo brincando com um ioiô da Coca-Cola, bebendo Crush e dizendo "putz grila, Morgado!"
Esta semana, meu amigo completou 38 anos. Vejo uns salientes fios brancos eclodindo por seus cabelos negros e revoltos. Mas o rosto jovem e o sorriso traquino insistem em nos mostrar um rapazola ingênuo, buscando incansavelmente as respostas da vida, ou ao menos as perguntas certas.
Sinto que as agruras do mundo ainda o abalam mais do que poderia admitir ou entender. Contudo, as porradas por aí o convenceram de que viver é importante, mas sobreviver também. Não dá para dissociar um do outro.
Jamais desistas de nada e não deixes o mundo te adultecer. Obrigado por ser meu amigo.