Dedico os versos abaixo a uma amiga muito especial, que me faz muita falta.
Parabéns atrasado e grande beijo, Carolina Pavanelli.
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Morgado (SETE de março).
Na penumbra da noite quente
Minha mão sua mão achou
Tão encolhida sob o travesseiro reticente
Que uma voz na cabeça endossou:
É mão de gente
E duas mãos fizeram um sonho diferente
E firmaram o tal pacto redentor
Em que uma sente o que a outra não sente
De tal modo que um desejo dissidente
Que dê numa um arrepio divergente
Seja na outra a expressão do amor
Assim, sonhando fomos noite adentro
Mão com mão numa só direção
Divergindo e amando num só tempo
Onde segundos foram primeiros
nas horas que fazem esta canção
Cada qual no seu passo
Amando e desamando
Cada um na sua vez
noite adentro sonhando
Pois na nossa maré do descompasso
Mais vale uma mão na outra
e as duas voando
Começo atrasado. Pois o primeiro homenageado aniversariou três dias atrás, dia 08 de Fevereiro. Trata-se do Fausto, também conhecido como Mausto, Chausto, Sagui, Arame Liso etc.
Minha amizade pelo Fausto cresce aos poucos, como uma nascente em seu paciente caminho rumo ao mar. Lembro-me de tê-lo visto primeiro na Cobal do Leblon, quando eu ainda detinha o título de "amigo-do-amigo" (intermédio do Weibert).
Engraçada essa matemática da vida, não? Ao contrário daquela da escola, onde "+ e + dão +", na vida os amigos dos amigos nem sempre nos apetecem. Mas, com o Fausto, senti de cara aquela bondade de coração típica das pessoas ingênuas, que preservam uma curiosidade pueril por tudo e enxergam as coisas como as contemplassem pela primeira vez.
Finda a noite, eu e Fausto éramos meros conhecidos, mas algo me dizia que nossos destinos ainda iriam se cruzar. E isso aconteceu uns anos depois, numa aula de alongamento da saudosa Copa Corpo Clube, academia de Copacabana. Depois da aula, trocamos umas palavras e voltamos a nos esbarrar outras vezes. No ano seguinte, já éramos parte da mesma tripulação. Víamo-nos na praia, saíamos para noitadas por aí, festas... Uma época fabulosa!
Sou um sujeito sem muitas posses, que acredita no poder dos sentimentos, desejos, pensamentos e sonhos. Especialmente, nos sons, palavras ou imagens que lhes sirvam de carruagem.
Daí o porquê deste bloco de notas. Desejo ir ousadamente aonde meu bolso jamais poderia: ao reino do bom agouro, do agora, das palavras perdidas. E de lá hei de trazer o mais nobre dos presentes, o que não se pode tocar nem ver. Trarei lembrança, saudade e bem aventurança.
Em vez de rosas, poemas. Na ausência de vinhos caros, desenhos. No lugar de joias, crônicas. Em vez de livros de aventura em papéis dourados, darei contos, mais épicos e heroicos que o próprio exagero.
A cada aniversário, postarei aqui minha lembrança. Pode ser um poema, um desenho, uma foto, uma canção, um vídeo. A única ressalva é que o PRESENTE seja do PRESENTE. E que seja de coração!
Em dias sem aniversário, se o tempo não me falhar e o ar não me fugir aos pulmões, trarei o que sei sobre o rito do aniversário – em seus diversos semblantes – e sobre a Amizade.
Afinal, de que vale uma lembrança que não é compartilhada? É como diz a plaquinha da biblioteca: "livro mal guardado é livro perdido". Então me aproprio: "a lembrança guardada para si é uma lembrança perdida".